domingo, 11 de agosto de 2013

Eu, tu, eles e nossas mágoas

Talvez vocês se perguntem por que estou contando essas coisas... Bom, acredito que, se lerem até o fim, entenderão... Sem esses fatos, nada faria sentido...

Tenho pensado muito sobre as experiências que acumulei ao longo dos meus 22 anos. Não é tanto tempo, mas ja aprendi algumas coisas. 
Tentei fazer um tour pelas lembranças, desde o meu primeiro relacionamento... Me lembrei de um menino, tadinho... Me pediu em namoro, por um bilhetinho, um papel passado de mão em mão até chegar às minhas... Eu li, achei aquilo muito bonitinho, apesar de estranho e fora de hora... Aceitei. Não sei por quê. Não gostava dele, não queria namorar... Tinhas 9 ou 10 anos, se me lembro bem. Bom, o nosso namoro durou 2 dias. Em um eu aceitei, no outro mandei um bilhetinho, igualmente passado de mão em mão, onde estava escrito (me lembro muitíssimo bem) "Melhor terminar o que nem começamos. Não deveria ter aceitado namorar com você. Desculpa".
Coitado... Devo ter sido a primeira decepção da vida dele ... Ele picou o tal bilhetinho muito bem picadinho e jogou no lixo bem na minha frente. Doeu em mim também.
Acho que desde então, eu  pude perceber que magoar-se, dói. Mas magoar alguém, que não merece... Dói ainda mais. Frase do grande Chico Xavier, que eu nem conhecia na época.
Depois disso, sofri o dissabor de uma paixão platônica. A euforia de uma paixão correspondida. 
Conheci a frustração de ver que, nem sempre ser correspondida é o bastante, pra ser feliz.
Eu sofri muito dessa vez... Perdi as contas de quantos textos escrevi pra ele. De quantas músicas eu estraguei, lembrando de nós dois. Um dia, passou. Mas até hoje, quando eu vejo aquele menino, bem la no fundo, no fundinho do poço, que fica dentro do meu coração, a mágoa tenta submergir. Não deixo. O que passou, passou.
Também já tive uma paixão, dessas de tirar o fôlego! Alias, essa sim, foi de tirar tudo do lugar! Foi tufão, maremoto, vendaval ... Mexeu com tudo dentro de mim, com todas as minhas certezas... Me transformou. De menina a mulher. 
Mas como na vida, o conto de fadas tem fim e nem sempre feliz... O destino tratou de fazer o seu papel e separou a gente. Eu não nego que mais uma vez, eu sofri, mas hoje eu vejo que foi muito melhor assim... Guardo bem direitinho a imagem do meu príncipe, ainda que já tenha o visto bancar o idiota, inúmeras vezes! Estranhamente, por ele eu não guardo mágoa alguma, nem no fundo do meu poço particular.
E mais uma vez, porquê estou contando isso? Pra tentar explicar a minha conclusão...
Depois de dias pensando em como lidar com o passado, minhas feridas, suas feridas... Nossas cicatrizes, amores mal acabados, lágrimas que não caíram (e até hoje apertam na garganta)... Conclui que:
Algumas mágoas persistem dentro do meu coração, ainda que eu tenha as colocado num poço fundo, a ponto de me esquecer, temporariamente, de sua existência. 
Infelizmente é assim, algumas pessoas passam pela nossa vida e achamos que vêm para ficar, quando estão apenas de passagem... Criamos expectativas, fantasias... Se preferir... Sonhos. E um dia, nos deparamos com a verdade, que na maioria das vezes, machuca.
Entendi também que cada um desses 'amores' tinha que passar pela minha vida (e pela sua), por um motivo, seja qual for. 
Eu tenho certeza que cada uma dessas experiências, nos transformou em quem somos hoje. Nos preparou pra conhecer um amor de verdade. Sem o alvoroço das paixões (platônicas ou não). 
Hoje, eu sei que existem feridas que, apesar de cicatrizadas, doem. Que mesmo quem me ama, pode e vai me magoar e que eu tenho que aprender a cada dia, como lidar com isso, pra que as mágoas não esmaguem o amor a ponto de, um dia, ele não caber mais no meu coração. Eu sei que, o menino do bilhete, provavelmente, não foi a única pessoa no mundo que eu magoei... Sei que devo ter perdido inúmeras chances de deixar alguém me fazer feliz... Assim como inúmeras vezes, quis fazer alguém profundamente feliz, e não pude.
Um dia, encontrei alguém tão cheio de cicatrizes quanto eu, e senti tanta vontade de ser a sua cura, que me esqueci das minhas próprias feridas. Essa pessoa também me ensinou muito, aliás foi de todos, o que mais me fez crescer, me descobrir e entender que, ninguém pode fazer mágoas antigas desaparecerem. Que cabe a nós, respeitar a história de quem esta do nosso lado, que cada cicatriz faz de nós quem realmente somos. E que se não aceitarmos isso, não nos aceitaremos por inteiro. Não nos amaremos de verdade.
Hoje, eu não desejo um relacionamento sem mágoas, sem dor ou decepções. Eu desejo que nós tenhamos esperança e fé ... Que eu, tu e eles continuemos a acreditar no amor, no perdão, no tempo que cicatriza, em nós e nossa enorme capacidade de ser e fazer alguém feliz !




























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